O volume corrente, a PEEP e a pressão de platô fazem parte da rotina de avaliação da ventilação mecânica.
Entretanto, analisar cada uma dessas informações isoladamente pode não representar completamente a interação entre o ventilador e o sistema respiratório do paciente.
Nesse contexto, a Driving Pressure, também conhecida como pressão de condução ou pressão de distensão, vem ganhando espaço na literatura e na prática clínica.
O parâmetro ajuda a compreender a pressão necessária para fornecer determinado volume corrente de acordo com a complacência do sistema respiratório.
O que é Driving Pressure?
A Driving Pressure representa a diferença entre a pressão de platô e a PEEP.
Driving Pressure = pressão de platô menos PEEP
Em uma situação na qual a pressão de platô é de 25 cmH₂O e a PEEP é de 10 cmH₂O, por exemplo, a Driving Pressure é de 15 cmH₂O.
Na prática, esse valor ajuda a representar a pressão utilizada para distender o sistema respiratório durante a inspiração.
Por que o volume corrente não conta toda a história?
Dois pacientes podem ser ventilados com o mesmo volume corrente e apresentar valores diferentes de Driving Pressure.
Isso acontece porque a pressão necessária para entregar determinado volume também depende da complacência do sistema respiratório.
Quando a complacência está reduzida, pode ser necessária uma pressão maior para fornecer o mesmo volume corrente.
Por isso, mesmo um volume corrente considerado protetor pode estar associado a uma Driving Pressure mais elevada em determinados pacientes.
Da mesma forma, outro paciente pode receber um volume corrente maior e apresentar uma Driving Pressure inferior, caso possua maior complacência.
A Driving Pressure não substitui o volume corrente, a PEEP ou a pressão de platô. Ela complementa essas informações.

O que a literatura mostra?
Uma análise publicada em 2015 avaliou dados individuais de 3.562 pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo participantes de nove estudos randomizados.
O trabalho identificou a Driving Pressure como uma variável associada à sobrevida dentro da população analisada.
No contexto perioperatório, estudos observacionais também identificaram associações entre valores mais elevados de Driving Pressure e maior ocorrência de determinadas complicações pulmonares pós-operatórias em alguns grupos de pacientes.
Essas associações precisam ser interpretadas com cautela.
A Driving Pressure não deve ser apresentada como um indicador isolado de mortalidade nem como um parâmetro que, sozinho, determina a estratégia ventilatória.
Um ensaio clínico recente comparou uma estratégia com PEEP elevada, individualizada pela Driving Pressure e associada a manobras de recrutamento, com uma estratégia de PEEP baixa.
A estratégia guiada pela Driving Pressure não reduziu as complicações pulmonares pós-operatórias em pacientes submetidos a cirurgias abdominais abertas.
Esses resultados reforçam que a ventilação deve ser individualizada e baseada na avaliação conjunta de diferentes parâmetros e condições clínicas.
Existe um valor ideal de Driving Pressure?
O valor de 15 cmH₂O é frequentemente utilizado na literatura como uma referência de atenção, principalmente em discussões sobre ventilação protetora.
Entretanto, não existe um limite único que possa ser aplicado de forma universal a todos os pacientes e procedimentos.
A interpretação deve considerar:
- condição clínica;
- complacência respiratória;
- tipo de procedimento;
- posição cirúrgica;
- volume corrente;
- nível de PEEP;
- pressão de platô;
- troca gasosa;
- comportamento das curvas respiratórias;
- evolução do parâmetro ao longo do procedimento.
Mais importante do que analisar um número isolado é observar o conjunto das informações e suas variações.
Como acompanhar a Driving Pressure?
Tradicionalmente, a Driving Pressure precisa ser calculada a partir da pressão de platô e da PEEP.
Durante a rotina anestésica, a necessidade de realizar cálculos manuais pode dificultar o acompanhamento contínuo do parâmetro.
Equipamentos que apresentam a Driving Pressure diretamente na interface facilitam sua integração ao monitoramento.
Segundo o material técnico disponibilizado, as máquinas de anestesia AEON 8600A e AEON 8800A oferecem acompanhamento contínuo da Driving Pressure na tela em configurações compatíveis.
Essa visualização permite que o anestesiologista acompanhe as alterações do parâmetro junto a:
- volume corrente;
- PEEP;
- pressão das vias aéreas;
- frequência respiratória;
- curvas de pressão e fluxo;
- complacência;
- concentração de gases.

Driving Pressure na prática clínica
Incorporar a Driving Pressure à tomada de decisão não significa abandonar os demais parâmetros.
O objetivo é acrescentar outra camada de informação à avaliação da ventilação.
Valores elevados ou crescentes podem indicar a necessidade de reavaliar:
- volume corrente;
- nível de PEEP;
- pressão de platô;
- posicionamento do paciente;
- circuito respiratório;
- complacência do sistema;
- condições clínicas.
Qualquer ajuste deve ser realizado por profissional qualificado, considerando as particularidades do paciente e do procedimento.
Tecnologia integrada ao monitoramento
Quando a Driving Pressure aparece continuamente na tela, o parâmetro deixa de depender apenas de cálculos pontuais.
Ele passa a fazer parte da visualização integrada da mecânica respiratória.
Esse recurso não substitui a avaliação clínica, mas facilita o acesso a uma informação adicional durante a anestesia.
Conheça as máquinas de anestesia disponíveis na Instramed e consulte as configurações compatíveis com o acompanhamento da Driving Pressure.
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